O sonho de muitos fãs de Assassin’s Creed finalmente se tornou realidade: a franquia ganha um capítulo ambientado no Japão feudal.
Em Assassin’s Creed Shadows, controlamos Yasuke, um samurai negro, e Naoe, uma shinobi. Essa dupla improvável enfrenta uma organização sombria e sedenta por poder no fim do período Sengoku.
A aventura se destaca pela direção épica e pelos cenários deslumbrantes. No entanto, um pouco mais de diversidade e profundidade teria feito bem ao jogo.
Joguei Assassin’s Creed Shadows em um setup com processador Intel Core i7-14700K e placa de vídeo RTX 4060 Ti, com as configurações otimizadas automaticamente pelo NVIDIA App. A experiência foi extremamente fluida, com ótima taxa de quadros mesmo em cenários mais densos visualmente, como as vilas japonesas e os combates noturnos. Esse combo de hardware garantiu uma performance sólida do começo ao fim.
Uma narrativa fragmentada, sem grandes momentos
Mesmo após cerca de 45 horas de jogo, não consegui me conectar com a história de Assassin’s Creed Shadows. A trajetória de Yasuke, ex-escravo português que se torna samurai no Japão, é abordada de forma superficial. O potencial da história de Naoe e de sua vila oprimida, Iga, também é pouco explorado. Pelo menos, as cinemáticas são lindíssimas.
A estrutura narrativa é desnecessariamente fragmentada e confusa, com muitos flashbacks e saltos temporais. As motivações dos personagens — como o motivo de Yasuke e Naoe, inicialmente inimigos, se unirem — são mal explicadas ou reveladas tarde demais.
Com o tempo, as missões se tornam tão repetitivas que já nem lembro por que estou assassinando certas pessoas. Esqueço por que tenho que matar aquele príncipe naquele castelo... afinal, já matei vinte príncipes em vinte castelos diferentes.
A trama acaba virando uma colcha de retalhos, sem alma, sem personagens marcantes ou reviravoltas emocionantes.
Ainda que a história não me prenda, o jogo ensina bastante sobre o contexto histórico do Japão feudal.
Talvez o mundo aberto mais bonito de todos os tempos
A falta de envolvimento com a história é compensada pelo verdadeiro destaque de Assassin’s Creed Shadows: seu mundo aberto. Como sempre na franquia, o mapa é gigantesco (embora menor que o de Assassin’s Creed Valhalla).
Fico constantemente maravilhado cavalgando por campos de arroz ou escalando montanhas rochosas. É, possivelmente, o mundo aberto mais bonito que já vi.
A vegetação densa ao redor de vilas e cidades como Kyoto é impressionante. Durante tempestades, as árvores se curvam ao vento de forma realista, e os campos dançam ao ritmo da natureza. Às vezes, simplesmente paro e fico observando por minutos.
As cidades também são vivas: crianças brincam nas ruas, NPCs seguem suas rotinas e cachorros como shiba inus e akitas correm por todos os lados (sim, você pode acariciá-los!).
A visão de longa distância é igualmente impressionante — subir em um ponto alto permite ver quilômetros à frente, com pouquíssima perda de detalhes.
O cenário muda com as estações do ano: pétalas rosas na primavera, neve espessa no inverno. Em teoria, isso afeta o gameplay, com lagos congelados ou vegetação alterada, mas na prática serve mais para embelezar.
Yasuke, por exemplo, nada tranquilamente mesmo no inverno rigoroso.
Apesar do visual altamente detalhado, a performance é sólida. No modo equilibrado do PS5 Pro, o jogo roda a 40 quadros por segundo com ray tracing no máximo. Apenas o quartel-general dos assassinos dá umas engasgadas.
No geral, o jogo foi bem lapidado tecnicamente. Para um mundo desse tamanho, quase não encontrei bugs ou glitches visuais. Quem dera fosse sempre assim!
Menos ícones no mapa, mas muita repetição
A Ubisoft prometeu uma abordagem mais limpa no mapa, com menos símbolos e marcadores — o que deixaria a exploração mais orgânica.
E a promessa foi, em parte, cumprida! Agora o jogo nos guia sutilmente com "?" ao invés de lotar o mapa de ícones ao escalar torres. Não há mais uma águia sobrevoando tudo — Yasuke e Naoe precisam explorar por conta própria em busca de alvos, tesouros e informações.
A tecla L2 mostra os pontos de interesse ao redor. Os marcadores de missão também precisam ser "merecidos", revelados por pistas enigmáticas. Posso usar batedores para explorar a área onde minha próxima vítima possivelmente está, mas preciso usá-los com sabedoria, pois levam um tempo para ficarem disponíveis de novo.
Essa exploração mais natural é o tipo de coisa que gosto em mundos abertos. Mas, após 15 horas de jogo, já perdi um pouco o interesse em explorar — as atividades e os locais se repetem demais.
Sigo a missão principal ou uma missão secundária? Pouco importa — geralmente acabo invadindo um castelo ou domínio para matar alguém ou roubar algo. Antes disso, tenho que viajar de lugar em lugar em busca de pistas sobre meu alvo. Isso é divertido por um tempo, mas depois da vigésima missão idêntica… cansa. Parece um “Feitiço do Tempo”: tudo acontece da mesma forma.
Algumas missões secundárias tentam sair do padrão, como desenhar animais selvagens ou meditar em templos para desbloquear habilidades. São ideias legais e mais tranquilas, mas também se tornam repetitivas depois de um tempo.
Nas sombras ou no confronto direto
Durante a jornada, controlo Naoe ou Yasuke, alternando entre eles pelo menu. Eles representam os dois extremos do gameplay de Assassin’s Creed: furtividade e ação.
Naoe é ágil, corre, pula, escala e usa um gancho para se movimentar. Ideal para abordagens silenciosas, ela se infiltra sorrateiramente em áreas inimigas e elimina alvos sem fazer barulho.
A furtividade traz duas novidades: agora é possível rastejar no chão, ficando completamente invisível em vegetação alta. E, inspirado em Splinter Cell, inimigos têm dificuldade de ver no escuro. Posso apagar lanternas e fogueiras com shurikens para me mover nas sombras.
Yasuke, por outro lado, é força bruta. Ele arrebenta inimigos, portas trancadas e barricadas. Seu foco é o combate aberto, com armaduras pesadas e armas destrutivas.
A jogabilidade dos dois deve ser familiar para fãs da série. As escaladas e parkour são semi-automáticos, mas extremamente estilosos graças às animações fluidas. Ainda assim, queria mais controle manual em certas situações.
No combate aberto, algumas habilidades especiais falham ao ativar — por exemplo, se o inimigo está em um degrau acima, a animação pode errar o golpe. Isso frustra.
Cada personagem tem seu próprio arsenal, habilidades e ataques especiais.
Uma divisão de papéis que nem sempre funciona
Gostei da proposta de dividir a jogabilidade entre furtividade e ação em dois personagens. Isso trouxe de volta o foco na furtividade, que estava meio esquecido na série.
Porém, na prática, essa separação pode ser irritante. As fraquezas de Naoe e Yasuke em certos contextos se sobrepõem às suas vantagens.
Naoe sofre em combates diretos contra chefes fortemente armados. Já Yasuke é inútil quando o objetivo exige escalada ou infiltração silenciosa. E o pior: depois de escolher um personagem para a missão, não dá pra trocar!
Várias vezes me vi com Naoe em trechos de ação claramente feitos para Yasuke, e o jogo não oferecia alternativa. Em vez de complementar a experiência, essa limitação acaba criando frustração.
Essa separação até funcionaria melhor se houvesse mais liberdade para trocar de personagem a qualquer momento, como em GTA V. Mas aqui, o jogo insiste em impor quem você deve usar em determinadas situações — mesmo que o outro personagem fosse claramente mais eficiente.
Vale a pena jogar Assassin’s Creed Shadows?
Assassin’s Creed Shadows realiza o sonho antigo dos fãs ao levar a série para o Japão feudal com um dos mundos abertos mais lindos já criados. O cenário é tão bem construído que, muitas vezes, só cavalgar por ele já é prazeroso o bastante.
A jogabilidade, embora competente, se perde em repetições, e a história — apesar do potencial — não entrega personagens memoráveis nem uma narrativa envolvente.
Se você é fã da franquia ou adora mundos abertos belíssimos, vale experimentar. Mas se procura uma trama cativante ou um gameplay realmente inovador, talvez esse não seja o Assassin’s Creed definitivo que você esperava.
Vale a pena jogar Assassin’s Creed Shadows?
Assassin’s Creed Shadows realiza o sonho antigo dos fãs ao levar a série para o Japão feudal com um dos mundos abertos mais lindos já criados. O cenário é tão bem construído que, muitas vezes, só cavalgar por ele já é prazeroso o bastante.
A jogabilidade, embora competente, se perde em repetições, e a história — apesar do potencial — não entrega personagens memoráveis nem uma narrativa envolvente.
Se você é fã da franquia ou adora mundos abertos belíssimos, vale experimentar. Mas se procura uma trama cativante ou um gameplay realmente inovador, talvez esse não seja o Assassin’s Creed definitivo que você esperava.
Prós e Contras
✅ Prós:
- Visual estonteante e detalhado do Japão feudal
- Mundo aberto rico, vivo e convidativo à exploração
- Dois estilos de combate distintos e bem executados
- Missões de infiltração com bom nível de liberdade
❌ Contras:
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Games